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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Ela... quando o retorno habita.


Ela havia voltado, depois de muito tempo caminhando por estradas desconhecidas. Disse-me que estava de volta para contar o desconhecido, sua viagem em busca da descoberta do seu “EU” havia terminado, e suas respostas já eram suficientes.
Fiquei sem compreender o que aqueles olhos tentavam me contar, no fundo sentia que não queria aceitar tudo o que ela falava. Após dizer o que sabia olhou em meus olhos e disse: - É hora de voar! Eu não estava preparada para tirar meus pés do chão, seria perigoso demais se o fizesse. Eu falei, insisti sobre meu medo, mas minhas palavras, meus gestos pareciam um nada diante daquela determinação.
Disse-me que eu estava presa demais, que precisa conhecer outros mundos diferentes do universo que dentro de mim habitava... Mas meu medo era maior, preferia a constância do mesmo à inconstância do provável. Aquela garota de olhos profundos, de aura sensível, de pensamentos agora concretos convidou pela última vez: - Venha comigo, você sabe voar!
Disse-lhe que não, não estava preparada. Olhou-me profundamente e deu um adeus que para sempre ficará comigo. Mais uma vez ela foi, acredito que neste momento com a certeza de que não queria ter uma chegada certa.
E hoje sei que ela foi, mas ainda é um pouco de mim, se antes ela era a dúvida agora mais do que nunca é a certeza de que eu posso e quero voar, preciso apenas aguardar o dia em que perderei o medo da altura...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

A chuva


Na posição em que me encontro a visão está embaçada.
São fios desalinhados, imagens cinzentas que,
por detrás de um vidro desenhado com gotas d'agua transformam-se em nada...
Sinto minha vida ao ver as imagens,
é como se a cada gota que toca o vidro um pedaço fosse se dilacerando.
O único barulho que ouço é o dos carros.
A luz que agora ilumina é aquela, já escurecida, do dia.
E minha cabeça dói,
parece que uma revolta está dentro dela.
Sinto meu corpo tremer,
sinto a janela bater,
e uma gota agora tocou meu rosto.
Elas já não estão mais lá fora.
Estão entrando aos poucos,e eu estou com medo.
Está gelado, muito frio aqui.
-Fecha essa janela!
-Não quero mais sentir que estou com frio...
Quero apenas aconchego.
Quero chocolate quente.
Quero leitura.
Quero calor humano.
Quero calmaria de uma dia chuvoso...